Virus Zica no Brasil

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A epidemia do vírus Zika no Brasil causou um imenso alarme social, bem antes de provocar uma resposta política. Durante todo o ano de 2015, diversas notícias saíram dando conta da extensão do número de infetados com o vírus, bem como da possibilidade de uma correlação com uma onda de casos de microcefalia. Contudo, as autoridades demoraram a reagir, só o fazendo de forma inequívoca quando o caso tomou proporções internacionais. Apesar de o Rio de Janeiro estar longe do centro da epidemia, a rápida expansão do mosquito e do vírus levantou dúvidas sobre a vinda de turistas estrangeiros para as Olimpíadas.

Teorias da conspiração?

O fato de a ligação entre a microcefalia e o Zika não estar totalmente provada, abriu espaço para teorias alternativas. A mais consistente, e com maiores efeitos políticos, aponta para o inseticida Pyriproxyfeno como a causa direta dos casos de microcefalia. De acordo com os promotores dessa teoria, que inclui investigadores brasileiros e um grupo ativista argentino, “Médicos de Pueblos Fumigados”, o inseticida foi usado para combater o Aedes Aegypti; mas seria o próprio inseticida a causar microcefalia. Apesar de o ministério da Saúde do Brasil ter afastado a hipótese, alegando que casos de microcefalia têm aparecido em regiões onde o Pyriproxyfeno não foi utilizado, a possibilidade levou o Rio Grande do Sul a suspender a aplicação desse produto.

Outra teoria, igualmente não provada, apontava que mosquitos geneticamente modificados estariam na base da atual epidemia.

Desigualdade econômica e social

Mais fácil de provar é a correlação entre a pobreza e a disseminação do vírus. Regiões com dificuldades econômicas, sem acesso a saneamento básico, facilitam na manutenção de recipientes com água em casa ou perto de casa, facilitando a reprodução do mosquito; são as mesmas zonas onde o acesso a hospitais e cuidados médicos é mais difícil. Além disso, a desflorestação e a ausência de cuidados no tratamento de resíduos sólidos ajudam também no crescimento de pragas como o Aedes Aegypti.