O que é interessante sobre as notícias do Brasil

brazil-27005_960_720

O que é mais interessante sobre as notícias do Brasil é aquilo que mostram sobre o que os brasileiros pensam de si próprios. O brasileiro é o primeiro a rejeitar sua cultura, seus costumes e os hábitos de seu país, criando sempre um clima negativo sobre o que a sociedade poderá fazer em conjunto. As excepções, como o carnaval ou o futebol, confirmam a regra. Ao mesmo tempo, os brasileiros veneram o que vem do exterior, principalmente dos Estados Unidos (na cultura, na economia, na política, etc.).

Na atualidade, vários países do Ocidente parecem sofrer desse tipo de complexo. Nos Estados Unidos, a campanha eleitoral de Donald Trump tem como slogan “Vamos fazer a América grande de novo”, como se a América estivesse agora em baixo, em crise. Dificuldades econômicas e poucas perspetivas de emprego ajudaram a criar esse cenário, que é psicologicamente real. Contudo, o próprio slogan de Trump mostra que esses americanos são confiantes no seu país; faz parte estratégia eleitoral de Trump apontar “culpados” para a situação “temporária” de crise.

A realidade brasileira é diferente. Os protestos de 2013 vieram criar uma nova consciência cívica e social, mas foram insuficientes para criar no povo – no seu conceito mais aberto – a ideia de que o Brasil pode ser diferente. O escândalo de corrupção da Lava Jato tem piorado a situação, mas poderá reforçar a confiança das pessoas na Justiça a longo prazo.

Complexo injustificado

A realidade brasileira não é tão ruim como os brasileiros parecem querer acreditar. O Índice de Percepção da Corrupção, publicado pela Transparency International desde há 20 anos, coloca (em 2015) o Brasil no 76º lugar numa lista de 167 países. Não é bom, mas também não é catastrófico. Quanto à renda per capita, o índice do Fundo Monetário Internacional (2013) colocava o país no 61º lugar numa lista de 183 países. Estes e outros dados, que nem sempre aparecem nas notícias, revelam que o Brasil é um país com potencial e que seus problemas são normais, vividos como em muitos outros países.