Inseticida de mosquito causa microcefalia

O Brasil está sofrendo com uma epidemia de casos de microcefalia em bebês recém-nascidos. Em Março de 2016, já se confirmaram mais de 700 casos. Se chama de microcefalia a situação em que o cérebro apresenta tamanho inferior ao normal, com problemas neurológicos associados. Os especialistas em saúde têm apontado como principal suspeito desta para esta epidemia o vírus zika, transmitido pelo mosquito Aedes Aegypti, parecendo existir uma relação de causa e efeito entre a infecção com o vírus em grávidas e o aparecimento de microcefalia e complicações associadas para o bebê, após o nascimento.

Contudo, não se encontra totalmente estabelecido que seja o zika a causa do problema. Um grupo de investigadores argentinos e brasileiros suspeita que a causa seja o inseticida Pyriproxyfeno, que foi utilizado para prevenir a reprodução e o crescimento do mosquito. A organização argentina “Médicos de Pueblos Fumigados”, que acusa eCDC_map_of_Zika_virus_distribution_as_of_15_January_2016mpresas multinacionais de aplicarem inseticidas em grande escala sobre regiões pobres, olhando apenas a considerações de lucro, afirmam existir uma associação entre os municípios brasileiros onde foi aplicado Pyriproxyfeno e onde têm aparecido mais casos de microcefalia. Em consequência deste relatório, e depois de alguns investigadores terem levantado a mesma suspeita, o Rio Grande do Sul decidiu suspender a aplicação de Pyriproxyfeno, em fevereiro de 2016.

O Ministério da Saúde do Brasil, alinhando com a posição oficial da Organização Mundial da Saúde, rejeitou a necessidade do estado gaúcho de suspender o uso do pesticida, afirmando que não existe nenhum estudo epidemiológico provando a ligação entre o Pyriproxyfeno e a microcefalia. As autoridades federais brasileiras acrescentam que já existem estudos iniciais que confirmam a presença do vírus zika em amostras de sangue associadas a microcefalia; além disso, algumas localidades onde não foi utilizado o inseticida também viram surgir casos de microcefalia.

De qualquer forma, ainda não existe consenso total sobre as causas dessa epidemia que está afetando centenas de grávidas no Brasil e também na Colômbia.