BBC leva equipa de 272 para cobrir a Copa do Mundo

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Em 2014, um pequeno escândalo surgiu na Inglaterra: a BBC, canal público de televisão e mídia, anunciou que levaria para a Copa do Mundo, no Brasil, uma equipa de 272 pessoas. A situação contrastava com a privada ITV, que teria apenas 120 pessoas. De imediato, críticas surgiram quanto à efetiva necessidade de ter uma equipe tão grande voando para cá e aos gastos associados. A BBC se defendeu, alegando que o objetivo era obter uma cobertura do evento 24 horas por dia, otimizando em relação a edições anteriores, e que o resultado final ficaria muito barato para o contribuinte britânica.

Os críticos, que incluíram a “Taxpayer’s Alliance” (uma associação de contribuintes), apontaram o fato de vários enviados especiais, como os comentaristas e ex-jogadores Alan Shearer e Gary Lineker, obterem condições 5 estrelas à custa do orçamento público. A despesa total da BBC durante a Copa seria de 12 milhões de libras, equivalente a cerca de 60 milhões de reais. No ar, ficou a ideia de que uma parte da equipe viria mais pela diversão do que por ser efetivamente necessária no terreno.

Para os brasileiros, o caso encerra duas conclusões interessantes:

  • Não é só no Brasil que as autoridades públicas parecem querer gastar mais facilmente o dinheiro que vem dos impostos pagos pelos contribuinte. Essa é uma verdade quase universal, independentemente do nível de desenvolvimento do país.
  • A pressão que brotou da opinião pública foi imediata. Num país cujas instituições políticas vêm funcionando há séculos com a cultura de se vigiarem mutuamente e de impedir que um determinado político, ou órgão, acumule demasiado poder, é de esperar que as consequências surjam mais rápido. Mesmo sem a demissão de ninguém, a própria BBC alegou ter operado uma redução na equipe que criou, em relação à Copa de 2010; sem a pressão pública e dos cidadãos, talvez a estação de TV britânica tivesse igualado ou aumentado o número de 295 pessoas que enviou para a África do Sul, nesse ano.